Túnel Do Tempo
Ontem bebia meu uísquezinho com soda, bem relax, quando começou a passar “Bete Balanço” no Canal Brasil. Genteeeeeeeeeeee!!!!!!!!!!! O que que era aquilo? Decidi rever o filme, uma vez que o mesmo traça um retrato da juventude da década de 80. Mas vamos concordar: o roteiro é um “fiapo” e o filme é bem fraquinho. Podemos afirmar que é nossa versão brazuca de “Flashdance” (1983).
Porém, existem nele alguns méritos. Foi o primeiro filme dirigido especialmente à juventude brasileira e mais: tratava da tríade maldita sexo, drogas e rock’n roll, além de uma cena lésbica entre os personagens de Maria Zilda e Débora Bloch. Até aí nada demais, irão dizer muitos de vocês que nasceram bem depois, mas para quem viveu aquele período foi bem diferente.
Naquele ano, 1984, Débora Bloch (bem antes da plástica no nariz), virou musa do verão brasileiro, no ano seguinte o Rock in Rio iria sacudir o Brasil e respirávamos sob os auspícios da abertura política e do movimento “Diretas Já”.
Por outro lado, acho que se existiu uma década brega, essa década foi a de 80 com suas saias balonê, calças de cintura alta, ombreiras enormes, cores berrantes e outros que tais. Ao ler os créditos do filme, apareceu alguma coisa do tipo “Débora Bloch veste Dimpus”. Bem, a Dimpus, era aquele tipo de marca que todo mundo queria ter, eu mesma tive um tênis, a loja ficava na Rua Oscar Freire se não me engano.Quanto à cena paulistana era aquela coisa totalmente underground e vanguardista. Freqüentei o Lira Paulistana, Madame Satã, Café Bexiga e a Sessão Maldita, entre outros locais. Claro que fui a lugares de “patricinha” tipo Rose Bom Bom, Radar Tantan, etc. Mas meu negócio mesmo era a marginalidade. Assistíamos aos filmes de Jim Jarmusch (alguém lembra dele?), não entendíamos nada e achávamos o máximo.

Também tive a sorte (em alguns casos azar) de ver nascer a cena musical que compôs o rock brasileiro da década e que influenciaria, de uma maneira ou de outra, as décadas seguintes: Blitz, Paralamas, Kid Abelha, RPM (fui à um show deles com a Múmia, dá pra acreditar?), Legião Urbana, Barão Vermelho, Titãs, Lobão e seus Ronaldos, entre outros, além de assistir a alguns shows internacionais como o do The Cure em São Paulo no Ginásio do Ibirapuera.
Na década de 80 reprovei 2 vezes o colegial, fui punk, new romantic, new wave e por último gótica. Movimentos totalmente díspares entre si, mas era necessário ser algo, fazer algo. Até que finalmente me “encaixei” naquela coisa mais maldita, urbana. Li muito livros e assisti a muitos filmes que fizeram e fazem minha cabeça até hoje.
Havia também uma grande esperança. Fiz parte de uma geração que acreditou na política, no amor e na justiça. Parece bem piegas, mas saíamos de décadas de ditadura militar. Lembro dos conselhos de minha mãe para nunca discutir política porque era perigoso. Absurdo, não? Mas era real. Também não havia aquela paranóia com relação à AIDS, uma doença até então bem desconhecida.
Devo confessar que bateu a maior saudade. Saudade das músicas, shows, casas noturnas que freqüentei, jogos, enfim… Mas valeu viver tudo aquilo. Foi bom enquanto durou. E fica a máxima de Cazuza: “quem vem com tudo não dança…”.
Um beijo a todos.
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UOu… Anos 80… Nossa, nasci exatamente quando John Lennon morria… Enfim, me lembro muita coisa da época que foi a melhor de minha vida: a infância. Os jogos, as músicas, Trem da Alegria… Não sou tão ‘antiga’, minha infância acontecia enquanto muitos jovens já viviam a década mais maravilhosa q exitiu para mim. O que acontece e concordo c vc amiga, é q era tudo muito brega… Mas lá estavam os nossos valores: sociais, políticos, culturais… Se compararmos com o novo milênio, ai que saudades da originalidade, pq hj, tudo se copia… Bj nostálgicos…
;P
Muito bom… (óóóótima)
Sobre a breguice da época:
Quanto mais brega nos parece, mais marcante é, afinal, retrata a época e seus delírios massificadores.
Eu também usava as enormes “ombreiras”… (aff) e aquelas calças então??? kkk O cóz ficava pra cima do umbigo… lindo.. lindo… lindo…
Também tinha aquele corte de cabelo… acho que foi daí que veio a inspiração pra Chitãozinho e Xororó darem seu “pitaco” visualístico… he he he
Grande abraço
Bj
Adorei seu relato…sou nascida nos anos 90..mas vou usar alguns de seus comentários em meu resumo para um trabalho sobre esse decáda fantastica
Oi, Leticia. Tudo bem?
A década de 80 foi fantástica e cheia de atitude: muita música, rebeldia e esperança.
Quando seu trabalho estiver pronto, dê um toque, OK?
Beijos!!!