After Ellen

Matérias excluivas do portal After Ellen sobre cinema, televisão, vídeo, música e séries.

Contos

Contos sobre o universo TPM das lésbicas abaixo e acima dos 30 anos.

Cultura LGBT

História, notícias, militância, yada, yada, yada e personalidades do mundo LGBT.

Kriz na Blogosfera

Notícias sobre a Kriz na blogosfera e no mundo real. É tudo verdade e eu existo!

Mix Remix

Estórias pra boi dormir, micos privados e públicos, besteirol e paixões.

Home » Mix Remix

Túnel Do Tempo

Publicado por Kriz em 22 de dezembro de 2007 – 13:194 Comentários

MyFreeCopyright.com Registered & Protected

Ontem bebia meu uísquezinho com soda, bem relax, quando começou a passar “Bete Balanço” no Canal Brasil. Genteeeeeeeeeeee!!!!!!!!!!! O que que era aquilo? Decidi rever o filme, uma vez que o mesmo traça um retrato da juventude da década de 80. Mas vamos concordar: o roteiro é um “fiapo” e o filme é bem fraquinho. Podemos afirmar que é nossa versão brazuca de “Flashdance” (1983).

Porém, existem nele alguns méritos. Foi o primeiro filme dirigido especialmente à juventude brasileira e mais: tratava da tríade maldita sexo, drogas e rock’n roll, além de uma cena lésbica entre os personagens de Maria Zilda e Débora Bloch. Até aí nada demais, irão dizer muitos de vocês que nasceram bem depois, mas para quem viveu aquele período foi bem diferente.

Naquele ano, 1984, Débora Bloch (bem antes da plástica no nariz), virou musa do verão brasileiro, no ano seguinte o Rock in Rio iria sacudir o Brasil e respirávamos sob os auspícios da abertura política e do movimento “Diretas Já”.

Por outro lado, acho que se existiu uma década brega, essa década foi a de 80 com suas saias balonê, calças de cintura alta, ombreiras enormes, cores berrantes e outros que tais. Ao ler os créditos do filme, apareceu alguma coisa do tipo “Débora Bloch veste Dimpus”. Bem, a Dimpus, era aquele tipo de marca que todo mundo queria ter, eu mesma tive um tênis, a loja ficava na Rua Oscar Freire se não me engano.Quanto à cena paulistana era aquela coisa totalmente underground e vanguardista. Freqüentei o Lira Paulistana, Madame Satã, Café Bexiga e a Sessão Maldita, entre outros locais. Claro que fui a lugares de “patricinha” tipo Rose Bom Bom, Radar Tantan, etc. Mas meu negócio mesmo era a marginalidade. Assistíamos aos filmes de Jim Jarmusch (alguém lembra dele?), não entendíamos nada e achávamos o máximo.

Barão Vermelho

Também tive a sorte (em alguns casos azar) de ver nascer a cena musical que compôs o rock brasileiro da década e que influenciaria, de uma maneira ou de outra, as décadas seguintes: Blitz, Paralamas, Kid Abelha, RPM (fui à um show deles com a Múmia, dá pra acreditar?), Legião Urbana, Barão Vermelho, Titãs, Lobão e seus Ronaldos, entre outros, além de assistir a alguns shows internacionais como o do The Cure em São Paulo no Ginásio do Ibirapuera.

Na década de 80 reprovei 2 vezes o colegial, fui punk, new romantic, new wave e por último gótica. Movimentos totalmente díspares entre si, mas era necessário ser algo, fazer algo. Até que finalmente me “encaixei” naquela coisa mais maldita, urbana. Li muito livros e assisti a muitos filmes que fizeram e fazem minha cabeça até hoje.

Havia também uma grande esperança. Fiz parte de uma geração que acreditou na política, no amor e na justiça. Parece bem piegas, mas saíamos de décadas de ditadura militar. Lembro dos conselhos de minha mãe para nunca discutir política porque era perigoso. Absurdo, não? Mas era real. Também não havia aquela paranóia com relação à AIDS, uma doença até então bem desconhecida.

Devo confessar que bateu a maior saudade. Saudade das músicas, shows, casas noturnas que freqüentei, jogos, enfim… Mas valeu viver tudo aquilo. Foi bom enquanto durou. E fica a máxima de Cazuza: “quem vem com tudo não dança…”.

Um beijo a todos.

Gostou? Compartilhe com os amigos!

  • Twitter
  • Facebook
  • Technorati
  • BlogBlogs
  • RSS

4 Comentários »

  • Lara disse:

    UOu… Anos 80… Nossa, nasci exatamente quando John Lennon morria… Enfim, me lembro muita coisa da época que foi a melhor de minha vida: a infância. Os jogos, as músicas, Trem da Alegria… Não sou tão ‘antiga’, minha infância acontecia enquanto muitos jovens já viviam a década mais maravilhosa q exitiu para mim. O que acontece e concordo c vc amiga, é q era tudo muito brega… Mas lá estavam os nossos valores: sociais, políticos, culturais… Se compararmos com o novo milênio, ai que saudades da originalidade, pq hj, tudo se copia… Bj nostálgicos…
    ;P

  • Juba & Lula disse:

    Muito bom… (óóóótima)

    Sobre a breguice da época:

    Quanto mais brega nos parece, mais marcante é, afinal, retrata a época e seus delírios massificadores.
    Eu também usava as enormes “ombreiras”… (aff) e aquelas calças então??? kkk O cóz ficava pra cima do umbigo… lindo.. lindo… lindo…
    Também tinha aquele corte de cabelo… acho que foi daí que veio a inspiração pra Chitãozinho e Xororó darem seu “pitaco” visualístico… he he he

    Grande abraço

    Bj

  • Letícia disse:

    Adorei seu relato…sou nascida nos anos 90..mas vou usar alguns de seus comentários em meu resumo para um trabalho sobre esse decáda fantastica

Gostou? Comente! Não gostou? Comente Também!

Adicione seu comentário ou trackback de seu próprio site. Você também pode assinar nossos comentários via RSS.

Sejam bonzinhos. Mantenham tudo limpo e façam comentários pertinente ao assunto.

Você pode usar as tags:
<a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>

O blog utiliza o Gravatar. Para criar seu avatar, acesse Gravatar.